A CIDADE
Poema de José Carlos Ary dos Santos
A cidade é um chão de palavras pisadas
A palavra criança, a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
A palavra distância e a palavra medo.
A cidade é um saco um pulmão que respira
Pela palavra água, pela palavra brisa.
A cidade é um poro, um corpo que transpira
Pela palavra sangue, pela palavra ira.
A cidade tem praças de palavras abertas
Como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
Como jardins mandados arrancar.
A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
Não há rua de sons que a palavra não corra
À procura da sombra duma luz que não há.
Mais poemas de José Carlos Ary dos Santos:
http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/ary.dos.santos.html
José Afonso canta este belo poema em seu álbum "Contos velhos rumos novos". Pode ser ouvido aqui, neste vídeo:
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17 ene 2020
24 may 2015
Rio largo de profundis - Zeca
| José Afonso - Zeca |
A garrafa vazia de Manuel Maria
De Manuel Maria
De Manuel Maria
A garrafa vazia de Manuel Maria
A garrafa vazia de Manuel Maria
Rio largo de profundis
Uma neta pra nascer
Amor avenidas novas
Praça de Londres a arder
Não quero martelo e rima
Aqui no Largo da Graça
Quero ficar onde estou
Para salvar a quem passa
João, Francisco, Maria,
Cada qual um nome tem
Quando vos dou os bons dias
Ninguém responde a ninguém
Venho duma outra vontade
Lá eu soubera dizer
Amor avenidas novas
Praça de Londres a arder
Letra e Música: José Afonso
Álbum: Venham Mais Cinco (1973)
25 abr 2015
Grândola, Vila Morena
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Zeca Afonso
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