1 sept. 2019

O anjo literario, de Eduardo Halfon

O segundo livro que li em português é "O anjo literário", de Eduardo Halfon. Ele é um escritor guatemalteco e sim, é um pouco estranho ler em português quando pude ler em espanhol ... mas achei e a vantagem das traduções é que elas têm uma expressão mais padronizada. Além disso, sendo uma tradução que vem do espanhol, achei muito mais familiar do que outro livro que estava tentando ler e espero terminar em breve e contá-lo aqui.

Encontrei este livro em uma livraria de segunda mão. É um livro de 125 páginas em que Halfon conta o que levou os escritores a iniciar o processo de ser um escritor. Por que alguém começa a escrever? É um livro muito bom, que traz idéias de biografias inovadoras, conversas simuladas...

Às vezes, parece que o livro não tem fio além dessa pergunta, até o próprio escritor o questiona. A parte difícil é terminar uma história dessas e acaba muito bem! Eu gostei ainda de não entender tudo.

Estes são alguns fragmentos do livro:

[Augusto Monterroso] "A sua primeira frase literária é uma lenda. Aconteceu alguns anos mais tarde, durante um dia chuvoso de Setembro, em 1944. Um aprendiz de carniceiro de vinte e dois anos, autodidacta, com certas ideias revolucionárias, percorria como frenesi as ruas da capital guatemalteca. Depois de ter assinado o "Manifesto dos 311" (exigindo a renúncia do ditador presidencial Jorge Ubico) e de fundar com alguns amigos o jornal político El Espectador, a policía local andava a persegui-lo por toda a cidade. El Espectador, a policía local andava a persegui-lo por toda a cidade. Felizmente, este jovem transportava com ele uma brocha e uma lata de tinta branca e, antes de assomar às portas da embaixada mexicana (onde receberia asilo político do próprio embaixador), conseguiu escrever -já com alguns dos elementos que, anos despois, caracterizariam o seu estilo narrativo- a sua primeira frase literária num muro decrépito da capital: "Não me situo" (No me ubico)" (p. 17).

Truman Capote
[Truman Capote] "Nas primeiras páginas, Capote admite que començou a escrever quando tinha apenas oito anos. Incrível, oito anos. Por obsessão. Escrever era algo que eu tinha de fazer, diz ele, e não entendo exactamente porque é que tinha de ser assim. Era como se eu fosse uma ostra e alguém tivesse forçado a entrada de um grão de areia na minha concha -um grão de areia que eu não sabia que alí estava e que também não desejava miuto. Depois, à volta do grão començou a formar-se uma pérola, e isso irritava-me , nauseava-me, às vezes torturava-me. A ostra, porém, não consegue evitar ficar obcecada com a sua pérola" (p. 16).


"Vencer essa ingenuidade é, nas palavras de Capote, encontrar a verdadeira arte. Saber escrever não é a mesma cosa que escrever bem; saber as regras da escrita serve pouco para conseguir escrever com arte. O oficio de escrever torna-se difícil e árduo e doloroso quando, por fim, uma pessoa percebe isto. Ou, quem sabe, talvez perceber isto nada tenha que ver com o oficio de escrever" (p. 71).

Mário Monteforte
[Mário Monteforte Toledo]  "Perguntar quando é que uma pessoa se transforma num  homem. Que importa? Você só está a arranjar complicações com um tema estéril, intelectualóide. Repare, a literatura tem duas vertentes: escritores metidos na vida e escritores metidos num quarto. Eu estoy com os primeiros, com aqueles decididos a viver, como Villon, como Hemingway, como Malraux, como o próprio Revueltas. Eu estive na prisão, vivi em barrancos onde Deus já não era necessário, partiram-me costelas por n
ão obedecer, fui tremendamente mulherengo, muito mulherengo. Mas não me arrependo de nada do que fiz, de nada, talvez so daquilo que não fiz" (p. 110).

Neste link há uma crítica mais completa sobre o livro, também em português: http://7leitores.blogspot.com/2008/08/o-anjo-literrio.html

Eu também achei esse booktrailer, uma coisa boa porque eu também ouço português ;-)




Em suma, um livro altamente recomendado!

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